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Nov 07

        Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores, entre as estantes atafulhadas.

        Até ao início das férias era um casal de chineses recém-chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.

        - Que quele? Pode vele.

        Faziam as contas nas costas de um papel impresso com gatafunhos orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.

        Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele quem orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas à porta, condu-las até à prateleira das molduras, das velas, das porcelanas, faz sugestões, indica preços.

        O Chiang que era o sobrinho do casal de chineses, como andava na escola sabia falar melhor Português do que os tios, por isso era uma mais valia para a loja. Como o Chiang era muito atencioso para com os clientes e por isso a loja ganhou mais fama do que a que já tinha.

        Os anos foram passando e os tios do Chiang morreram. O Chiang ficou a tomar conta da loja mas os anos iam passando e a loja eia perdendo clientes até que um dia entrou na loja uma jovem muito bonita por quem o Chiang se apaixonou, mal a viu entrar foi logo ao seu encontro para saber o que ela pretendia da loja.

        Pelos vistos a jovem também ficou interessada em Chiang, porque começou a ir à loja mais vezes só para o ver e a partir daí começaram a marcar encontrou e a saírem. Chiang nunca se atrasava aos encontros até que um dia a jovem ficou muito tempo à sua espera e já cansada de tanto esperar foi ter com ele à loja.

        Quando chegou à loja, deu com ela toda revirada e Chiang estava deitado num canto com uma poça de sangue à sua volta, pois os assaltantes tinham-lhe espetado uma faca no peito. A jovem quando o viu naquele estado fugiu dali a correr e não parou de chorar. A partir desse dia ninguém mais ouviu falar de Chiang e a sua loja.

publicado por andreiasofias7 às 10:55

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