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Jan 08
            Tarde morna. Setembro. Uma luz dourada iluminava o longo percurso que a levava a casa. Fugia. Do abismo, receando ser testemunha do ritual fúnebre a que o destino atinha sujeito. Cada passo era para Lisa, um misto de perda e de encontro. Em cada cravo vermelho que caía no chão, parecia perder um pouco de sangue da sua alma.
            Tudo começara naquele momento. Apareceu alguém no seu caminho. Lisa olhou-o com uma espécie de estranhamento. Ele, por sua vez, tentou fitar aquele olhar sofrido e húmido.
            Duarte olhou-a mais uma vez, num espaço mudo. Lisa era uma rapariga difícil de sorrir, de mostrar os sentimentos, de dar um abraço. Ser reservada era o seu estado natural. Assim, a sua reacção imediata foi a de procurar uma desculpa. No entanto, alguma coisa a travou naquele momento. Eram as palavras de Duarte, tantas vezes repetidas, de que queria escutar a sua dor.
            Ficaram ambos em silêncio.
            Beijaram-se. Por fim, despediram-se com o sabor de um novo encontro.
            Lisa entrou em sua casa. Sua mãe arrumava o seu passado numa caixa de papelão. Silenciosa, num gesto grave e firme pegou numa fotografia e deu-a a Lisa.
            Num misto de alegria e de incredulidade, Lisa via reflectida a imagem de Duarte.
            Duarte era agora a encarnação de um veículo poderoso.
publicado por andreiasofias7 às 09:15

comentário:
Mas o que é isto? Estás transfigurada?
Prof. Paulo Faria a 10 de Janeiro de 2008 às 23:29

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